História
Os açorianos sempre desafiaram maresias e tempestades marítimas pois era a única forma de ultrapassar as distâncias e estabelecer contactos e trocas comerciais.


A construção naval terá sido uma das primeiras actividades industriais nos Açores existindo estaleiros em praticamente todas as ilhas. Primeiramente construíram-se pequenas embarcações destinadas à pesca, depois para o tráfego local (ligação entre portos de uma mesma ilha) e mais tarde construíram-se embarcações mais robustas capazes de suportar o mar, nas viagens inter-ilhas. Existem registos que referem um intenso, embora sazonal, tráfego marítimo entre as ilhas de São Miguel, Santa Maria, Terceira e Faial, no século XVII. Nos séculos XVIII e XIX são os chamados “Iates do Pico” a dominar a cabotagem açoriana com carreiras regulares, no verão.


Nos tempos da navegação à vela, devido à alta concorrência, muitos mestres arriscavam viagens com mau tempo e mar agitado de forma a melhor poderem rentabilizar os barcos e ganhar mais uns trocos. Em casos de doença tornava-se mais fácil transportar um doente por mar do que por terra. Muitos mestres prestaram inúmeros serviços à população açoriana e tiveram um papel fundamental no desenvolvimento da economia das ilhas, permitindo não só mobilidade às populações como também a possibilidade destas escoarem os produtos que lhes sobravam e trazendo-lhes aqueles de que mais necessitavam.


Constituída em 1871, a Empresa Insulana de Navegação foi responsável durante mais de um século pelo tráfego regular e periódico entre as ilhas (excepto o Corvo), e destas com a ilha da Madeira e também os Estados Unidos.


A década de 80 representaria o fim dos transportes marítimos de passageiros inter-ilhas. Alguns dos barcos que prestavam esse serviço foram vendidos, outros abatidos e outros ainda reconvertidos para atuneiros. Seguiu-se um interregno de cerca de 20 anos, com excepção para as ligações entre o grupo central, com particular intensidade entre o Faial e o Pico. A troca de bens e a circulação de pessoas por mar manter-se-ia também no grupo ocidental, com a família Augusto a assegurar, até há poucos anos atrás, a ligação entre o Porto das Lages das Flores e o Porto da Casa no Corvo. Só na segunda metade da década de 90 se voltou a apostar no transporte marítimo de passageiros de âmbito regional. Fez-se primeiramente uma experiência com recurso ao hydrofoil “iapetos” seguidamente apostou-se nos ferry-boats. Com o fretamento das embarcações “Lady of Mann” e “Golfinho Azul”, por parte da Açorline, a mobilidade marítima inter-ilhas voltava a ser uma realidade para os açorianos.


A Atlânticoline, criada em 2005, começou por prestar serviços com o navio “Ilha Azul”, posteriormente com o “Express Santorini”, e na operação 2009 com o navio “Viking”. Este último, um HSC (High Speed Craft) que veio trazer melhorias significativas ao nível do conforto e serviço prestado aos passageiros. Um dos grandes trunfos deste tipo de embarcações é a possibilidade do transporte de viaturas que tem facilitado a mobilidade de milhares de açorianos.


Em 2009, ter-se-á registado a mais bem sucedida operação marítima de transporte de passageiros de sempre, tendo atingido um recorde a nível do número de passageiros transportados, 112 mil.


Atualmente, a operação da Atlânticoline é feita em todas as ilhas, de Santa Maria ao Corvo, com uma frota composta pela Lancha Ariel (com capacidade para 12 passageiros), pelo navio Express Santorini (com capacidade para 630 passageiros e 180 viaturas) e pelo navio Hellenic Wind (com capacidade para 660 passageiros e 125 viaturas).


No final do mês de março de 2014, a Atlânticoline iniciou as operações regulares no grupo central do arquipélago com os dois novos navios de quarenta metros, Gilberto Mariano (com capacidade para 298 pessoas e 12 viaturas)  e Mestre Simão (com capacidade para 333 pessoas e 8 viaturas), com o fretamento por parte da empresa Transmaçor.


A Atlânticoline tem ainda ao seu serviço os navios Cruzeiro do Canal (com a capacidade de 244 passageiros) e o Cruzeiro das Ilhas (com a capacidade de 208 passageiros).


A "Transmaçor - Transportes Marítimos Açorianos, Ld.ª", fundada em 22 de Dezembro de 1987, resultou da fusão da "Empresa das Lanchas do Pico, Ldª", armadora das embarcações "Espalamaca" e "Calheta"; "Empresa Açoriana de Transportes Marítimos, Ld.ª", que navegava com o Iate "Terra Alta" e da "Transcanal - Transportes Marítimos do Canal, Ld.ª", detentora dos tradicionais barcos de boca aberta "Picaroto" e "Manuel José".


Estas sociedades detinham 80% do Capital Social e o Governo Regional o restante.


Em 2011 o Governo Regional ficou detentor de 88,37% e a Empresa Açoriana de Transportes Marítimos, Lda. de 11,63%.


Por resolução do Conselho de Governo n.º 58/2015, de 31 de março é aprovada a fusão da  “Transmaçor - transportes marítimos açorianos, Lda. ” com a Atlânticoline, por incorporação, autorizando a aquisição por esta da totalidade do capital social daquela por €1,00. É pretendido com a fusão das sociedades Atlânticoline e Transmaçor, a transferência global do património da segunda para a primeira, na qual se concentrará a globalidade do património ativo e passivo das sociedades participantes na operação de fusão.


A presente operação de fusão permite, em continuidade, uma reestruturação societária e surge assim para contribuir para uma política integrada de transportes marítimos de passageiros, de veículos e de mercadorias, reduzindo e agilizando os centros de decisão e permitindo as desejáveis economias de escala e uma maior otimização da atividade operacional.


Esta operação de fusão poder-se-á enquadrar igualmente nos princípios orientadores do Governo Regional no que concerne à reestruturação do setor público regional que, entre outros, propugna a concentração da atividade de gestão e exploração de entidades comuns.


Ambas as sociedades estão integradas no setor público empresarial regional. Atualmente, a Atlânticoline é detida a 16,03% diretamente pela Região Autónoma dos Açores e a 86,97% pela Portos dos Açores, S.A., sociedade também de capitais públicos; sendo a Transmaçor detida exclusivamente pela Atlânticoline.


Em setembro de 2015 fica concluído o processo de fusão da Atlânticoline com a Transmaçor. No cumprimento do disposto na Resolução do Conselho de Governo n.º 58/2015, de 31 de março, a sede social da Atlânticoline será deslocada para a cidade da Horta